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80 disparos querem atingir a verdade

Repórter e seus familiares são ameaçados após reportagem sobre ação do Exército que matou uma pessoa e feriu outras, confundidas com criminosos

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Repórter e seus familiares são ameaçados após reportagem sobre ação do Exército que matou uma pessoa e feriu outras, confundidas com criminosos

Luciana Nogueira, esposa do músico Evaldo dos Santos Rosa, morto no último domingo (7), durante uma ação do Exército na região da Vila Militar, na zona norte do Rio de Janeiro, se emociona ao falar com a imprensa na sua chegada no Instituto Médico Legal

FOTO: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

LILIANA LAVORATTI •

Publicado em

As ameaças à vida do repórter da TV Globo Carlos de Lannoy e seus familiares, pelas redes sociais, no domingo (7), após a exibição de reportagem no programa Fantástico, na qual o jornalista mostrava a ação do Exército que terminou na morte de Evaldo dos Santos Rosa, músico de 51 anos, no Rio de Janeiro, é um sintoma sério do risco em que se encontra a liberdade de expressão e a pluralidade do pensamento em nosso país. O fato aconteceu justamente no Dia do Jornalista, e ilustra bem uma realidade triste: a periculosidade da profissão no Brasil, o 10º país do mundo com o pior índice de impunidade em crimes contra jornalistas.

Impunidade de crimes contra jornalistas

A conclusão é do relatório “Impunity Index” (Índice de Impunidade), divulgado pelo Committee to Protect Journalists (CPJ) em outubro último. É a nona aparição (oitava seguida) do país no ranking, que é publicado desde 2008. No Twitter, Carlos de Lannoy mostrou a mensagem recebida. “Minutos depois de fazer reportagem no #showdavida sobre mais uma morte em blitz do @exercitooficial recebi essa ameaça no meu Instagram. Não ficará assim”, escreveu, lembrando que as ameaçadas dirigidas a ele são crimes previsto no ordenamento jurídico brasileiro.

Prisão de militares

O Comando Militar do Leste (CML) determinou ontem a prisão de dez militares suspeitos de “descumprimento de regras de engajamento” em decorrência de um incidente que resultou na morte de um homem e feriu outros, com cerca de 80 tiros desferidos contra o carro em que as vítimas se encontravam. Segundo a nota, inconsistências entre os fatos reportados pelos militares envolvidos no incidente e informações posteriores conduziram ao afastamento da tropa envolvida no episódio, e 10 de 12 militares ouvidos pelas autoridades militares tiveram a prisão decretada.

‘Tudo o que foi apurado é que...

O delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios, que está investigando o caso, afirmou em entrevista à TV Globo que, "tudo indica" que os militares confundiram o carro da família com o de assaltantes. "Foram diversos, diversos disparos de arma de fogo efetuados e tudo indica que os militares realmente confundiram o veículo com o carro de bandidos. Mas neste veículo estava uma família", contou, segundo o Estadão Conteúdo. "Não foi encontrada nenhuma arma (no carro). Tudo que foi apurado era que era uma família normal, de bem, vítima dos militares."

Diário Comercio

...era uma família normal’

Ainda em entrevista à TV Globo, o delegado reclamou do fato de os militares não terem prestado depoimento à polícia civil. "Não vejo legítima defesa", disse sobre o fuzilamento do carro. "Pela quantidade de tiros, tudo aponta para prisão em flagrante." A deputada estadual Renata Souza (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), pretende entrar no Ministério Público Federal com uma representação pedindo investigação da morte. "O que significa 80 tiros em um carro numa tarde de domingo na zona norte?", criticou.

Diário Comércio Indústria e Serviço

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