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Policial flagrado dando 'cascudos' em detido no Jacarezinho está preso, informa PM

Imagens da TV GLOBO mostram suspeito, já sob controle dos PMs, recebendo um tapa na cabeça

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RIO - A Polícia Militar informou que o agente do Batalhão de Choque (BPChq) flagrado nesta segunda-feira dando "cascudos" em um homem detido durante a operação no Jacarezinho, Zona Norte do Rio, "está preso à disposição do comandante do BPChq". A medida foi informada por meio de nota enviada pela assessoria. A cena foi registrada pela TV GLOBO e mostra o suspeito sentado em uma das entradas da comunidade, já sob controle dos PMs, recebendo tapas na cabeça. De acordo com o "RJ1", o morador foi liberado depois que a polícia constatou que não constava mandado de prisão contra ele.

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O antropólogo e ex-chefe do Estado Maior da PM, coronel Robson Rodrigues, considera a ação do agente "equivocada, abusiva e que vai além do poder de polícia" legitimada a ele. Segundo o coronel, as agressões cometidas pelo policial são consideradas um desvio de conduta e devem ser avaliadas disciplinarmente pela corporação.

— É um abuso injustificável, o que vai resultar aquilo para a segurança pública? Isso tem um aspecto penal, ético e disciplinar, pois contaria os regulamentos e normas internas. Não é assim que um profissional de polícia deve atuar, pois perde sua legitimidade. Nós queremos acreditar que seja um fato pontual. A sociedade espera que os PMs efetuem seu trabalho, que é difícil e complexo. Mas não é assim que eles vão ganhar legitimidade e trazer a população para junto da polícia — afirma.

A deputada estadual Renata Souza, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa (Alerj), critica a atitude.

— É uma atitude que despreza a dignidade humana. Precisa ser revisto todo o padrão de abordagem, respeitando a dignidade e sem violar os direitos básicos e sem submeter os cidadãos a esse tipo de ação. É até importante que a PM construa um protocolo com orientações para uma abordagem policial adequada — argumenta a parlamentar.

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Um morador da comunidade que não quis se identificar conta que o abuso de autoridade é cometido com frequência no Jacarezinho:

— Às vezes os policiais pedem para ver os celulares dos moradores, e quando não dão, pegam à força. Se você ainda assim se recusar, pode ganhar um tapa no rosto. Vejo sempre isso acontecendo aqui dentro.

Quatro mortos e dois feridos na ação

Durante a ação, quatro pessoas morreram e duas ficaram feridas . Os baleados foram levados para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier. Um PM do BPChq foi atingido por estilhaços. Os dois feridos são Lucas Meneses, de 24 anos, baleado no abdômen e levado para a sala de cirurgia, e Patricia Chagas Kiss, de 26, paciente encaminhada para a sala de traumas com ferimento na perna esquerda. Ainda não se sabe se eles foram vítimas de bala perdida. Segundo a secretaria de Saúde do Rio, Lucas está em estado grave, e Patrícia está estável.

Por volta das 8h15, uma mala e uma sacola com drogas e peças de armamentos foram retiradas da favela. A localização do material foi indicada por um dos cães do Batalhão de Ação com Cães (BAC).

— O material estava em cima de uma laje, no início da comunidade, na Rua da Feira. Uma parte estava guardada entre duas paredes, na divisão entre duas casas, e outra escondida embaixo do suporte da caixa d'água, na laje. Apreendemos peças de fuzis, carregadores, cocaína, tabletes de maconha e maconha já embalada — afirma um militar do Batalhão de Operações Especiais (Bope), sem se identificar.

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Um dos baleados que não resistiu aos ferimentos, segundo a PM, estava na região conhecida como Areal. Houve confronto, e o suspeito acabou sendo atingido. Com ele foram apreendidos uma pistola calibre 40, um carregador e peças de munição. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu.

Circulação de trens interrompida

Tiros foram ouvidos desde 5h30, causando a interrupção na circulação de trens do ramal Belford Roxo da Supervia entre 5h35 e 6h45 desta segunda-feira. Neste período, o intervalo médio entre as composições chegou a cerca de 15 minutos. Moradores do Jacarezinho relatam a rotina de medo, que faz com que as pessoas evitem sair de casa:

Um ponto de venda de drogas funciona ao ar livre, com grande movimentação de usuarios de crack e traficantes, no ramal Belford Roxo da linha férrea administrada pela SuperVia Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

LEIA : Traficantes armados em trens e venda de drogas junto a estações são rotina na linha de Belford Roxo

— As pessoas estão com pavor de sair. O helicóptero sobrevoou a região muito baixo. Apesar da rotina de medo, eu fico horrorizado com isso - afirma um morador, que comenta ainda sobre os homens armados e a venda de drogas nas proximidades da estação: — Tenho sempre que passar por lá para ir trabalhar. Aquele movimento no trecho é desde sempre, já virou cena comum dentro da comunidade.

Motociclistas e carros que saem da comunidade são revistados por militares posicionados na entrada principal do Jacarezinho.Outro morador comenta que já perdeu o emprego por conta dos confrontos.

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— É tiroteio todo dia, sempre de manhã. Eu não consigo sair de casa para trabalhar, já perdi até emprego por causa disso. Hoje vai ser mais um dia. Pego às 9h no Leblon, são 8h15 e eu ainda estou aqui no ponto de ônibus. Só agora acalmou e consegui sair de casa mais tranquilo.

Desde o início do ano, a Supervia precisou alterar a circulação 57 vezes em função de tiroteio nas proximidades das estações.

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