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“Morrem mais policiais por motivo de suicídio do que em confronto”, destaca Renata Souza em audiência pública sobre saúde psicológica de agentes de segurança

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Fechando setembro - mês que simboliza a luta pela prevenção ao suicídio - , o debate sobre a saúde psicológica de policiais ganhou força na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Nesta sexta-feira (27), dia seguinte à aprovação do PL que cria um programa de prevenção à violência autoinfligida voltado para agentes de segurança, de autoria da deputada Renata Souza (PSOL), a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Alerj, presidida pela parlamentar, realizou uma audiência pública sobre o assunto. “A quantidade de policiais, hoje, que atentam contra a própria vida é maior do que a quantidade de agentes mortos em confronto. Como defensora de direitos humanos, acredito que temos que trabalhar para que sejam criadas políticas públicas que valorizem a vida desses profissionais”, ressaltou Renata.

O encontro contou com a participação de representantes do Ministério Público (MP) e da Defensoria pública, de pesquisadores, agentes de segurança e integrantes das secretarias de polícias civil e militar do estado. Defendendo que, devido a sua complexidade, o assunto deve ser trabalhado de maneira ampla e por um conjunto de profissionais de diversas áreas, Dayse Assunção, coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisa em Suicídio e Prevenção da Uerj, apontou o aprimoramento do registro e da organização de dados como um passo fundamental para o avanço nos estudos voltados para a prevenção da violência autoprovocada. “Sem conhecimento, nós não vamos avançar na política pública. Precisamos de ações de sensibilização dos agentes e, principalmente, ações fundamentadas em evidências científicas e numa coleta de informação mais sistematizada para promoção de políticas públicas sobre o assunto”, destacou.

A precarização da estrutura de assistência direcionada ao corpo policial também foi um ponto de destaque no debate. Psicólogo chefe do núcleo central de psicologia da PMERJ, Fernando Derenusson apresentou o cenário crítico no que diz respeito ao atendimento oferecido aos agentes. “O centro de psicologia da Polícia Militar funciona com apenas 93 psicólogos e dois psiquiatras no atendimento. Isso nos traz uma sobrecarga, é claro, mas seguimos pensando em formas de atender cada vez mais policiais”, frisou.

Em 2018, foram 30 mil atendimentos, sendo 44% dessas consultas com policiais da ativa.

Além de Renata, Dayse e Fernando, participaram da audiência Meire Cristine de Souza, comissária de polícia; representantes das secretarias de Estado de Polícia Civil e de Polícia Militar; Marcia Xavier, representando o secretário de estado da Polícia Civil; Hildebrando Saraiva, inspetor de polícia; Elaine Pereira, representante do Ministério Público; e Fábio Cajueiro, representando a PMERJ. Pediram a palavra, ainda, a perita criminal Janaína Matos e o sargento Paulo Sergio de Souza.

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