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Deputados de diferentes partidos se juntam para evitar arquivamento de CPI sobre gastos da Saúde na Alerj

Legendas antagônicas, como PSOL e PSL, aliaram-se para que contratos emergenciais da Secetaria estadual de Saúde sejam investigados pela Assembleia

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RIO — Deputados de diferentes partidos se uniram para evitar que a CPI dos Respiradores, que pretende investigar gastos sem licitação feitos pela Secretaria Estadual de Saúde, seja arquivada pela mesa-diretora da Assembleia Legislativa. A alta cúpula da Alerj pretende arquivar o pedido de CPI por considerar que já há uma investigação, com a mesma finalidade, feita pelo Ministério Público do Rio e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). A intenção da Casa de não dar seguimento à CPI fez deputados de 16 partidos — de esquerda e de direita, como PSOL e PSL — se unirem contra o arquivamento.

Autor do pedido de CPI que angariou 36 assinaturas, 12 a mais que o necessário para o protocolamento, Dr. Serginho (Republicanos) afirma que é dever da Alerj fiscalizar o governo estadual.

— Vou bater firme na necessidade de CPI até porque o TCE é um órgão auxiliar da Assembleia. A Alerj não pode se ausentar do seu papel de fiscalizar o Executivo — afirma Dr. Serginho.

Para Renata Souza (PSOL), é necessário haver transparência nas contratações emergenciais.

— O estado, que está em período de recuperação fiscal, fechou um contrato de quase R$ 10 milhões com uma empresa para a compra emergencial de 50 respiradores. Ou seja, cada aparelho saiu por R$ 198 mil. De acordo com o Ministério Público, mais que o dobro do preço do mercado brasileiro. Precisamos é ter clareza nestas contratações sem licitação. A população não pode sofrer com dois vírus ao mesmo tempo, o Covid-19 e a corrupção— defende a psolista.

Quem tem discurso semelhante é Filippe Poubel, da ala bolsonarista do PSL.

— Há indícios de práticas muito mais letais à sociedade fluminense do que o próprio coronavírus. Precisamos dar total transparência de cada centavo gasto nesse período.

Presidente da Comissão de Saúde da Alerj, Martha Rocha (PDT), que também defende a instalação da CPI, chegou a protocolar um requerimento de informação ao TCE-RJ pedindo detalhes das investigações.

Deputados de partidos de centro também prometem reagir caso a mesa-diretora da Alerj arquive o pedido de CPI.

— Não podemos permitir que desvios de recursos firam a população em um momento como este. É dever da Alerj investigar a situação atual — diz Rosane Félix (PSD). O deputado Chicão Bulhões, do NOVO, é outro que tem se manifestado a favor da investigação.

Líder do governo na Alerj, Márcio Pacheco (PSC) rebate e afirma que o governo estadual não é conivente com corrupção.

— O próprio governador Wilson Witzel pediu à Polícia Civil que faça uma investigação severa e instale inquérito. E disse que, se ficar provado que houve desvio, os culpados serão punidos criminalmente. O objetivo dessa CPI é apenas levantar bandeira política, uma vez que atende ao líder (Jair Bolsonaro) do autor que a propôs — diz Pacheco, referindo-se a Dr. Serginho.

Como O GLOBO mostrou, até mesmo o então vice-líder do governo, Alexandre Knoploch (PSL), e o deputado Rodrigo Amorim, próximo de Witzel, decidiram assinar o pedido de CPI.

Nesta segunda-feira (20), o subsecretário executivo de Saúde, Gabriell Neves, responsável pelos trâmites burocráticos da pasta, como as contratações, foi exonerado do cargo por Witzel.

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