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“Culpabilizar a vítima por perder seu filho é um equívoco, uma desumanidade”

diz deputada Renata Souza sobre declaração de administradores do Hospital da Mulher durante CPI que apura o óbito de 16 bebês na unidade

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“Culpabilizar a vítima por perder seu filho é um equívoco, uma desumanidade”, diz deputada Renata Souza sobre declaração de administradores do Hospital da Mulher durante CPI que apura o óbito de 16 bebês na unidade

Nesta terça-feira (02), a CPI do Hospital de Mulher de Cabo Frio ouviu a diretora da unidade, Lívia Natividade e o Dr. Paul Hebert Dreyer, diretor geral do hospital. A segunda reunião ordinária da CPI aconteceu na Assembleia Legislativa do Rio, presidida pela deputada estadual Renata Souza, que também é presidenta da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Alerj.

Durante as oitivas, os administradores do hospital foram questionados sobre óbito dos 16 bebês, as condições de atendimento às mães, a falta de estrutura do hospital, o trabalho e a carga horária dos funcionário e a falta de acesso aos prontuários. Estes pontos foram destacados pelas mães ouvidas anteriormente pela CPI.

Segundo o diretor geral do hospital, Dr. Paul Hebert Dreyer, a falta de pré-natal das mães seria um dos principais motivos para a morte dos bebês: “Muitas pacientes chegam já no sofrimento, algumas com hipertensão, usuárias de drogas, sem realizar o pré-natal de maneira adequada. O Hospital da Mulher é o ponto final da linha onde as mulheres vão procurar um atendimento. Então é normal que aconteçam mortes ali no hospital. Acontece, vai acontecer e continuará acontecendo. Isso é uma coisa comum”, relativiza o médico.

Para a deputada estadual Renata Souza, culpar as mãe não ajuda a elucidar os casos: “Precisamos saber o que levou essas crianças a morte e não colocar a culpa na mãe, isso é absurdo, desumano. Tivemos acesso a diversos pré-natais dessas mães e todas elas estavam com o bebê perfeito. Algumas, inclusive, eram indicadas para o parto normal e o bebê nasceria saudável”.

Os administradores, que são casados há mais de 20 anos, também foram questionados sobre a estrutura do hospital e a atividade de seus funcionários. Na ausência dos dois maqueiros da unidade, profissionais responsáveis por conduzir as pacientes, Lívia Natividade disse que profissionais de outras áreas realizam o serviço, o que é considerado pela CPI como um desvio de função e a unidade deverá responder legalmente sobre isso: “Os maqueiros trabalham 12 horas por dia, na ausência deles os auxiliares de serviços gerais e profissionais da equipe de enfermagem desempenham esta função. Eu não consigo contratar mais profissionais pois, o município sofre com a lei de responsabilidade fiscal”, justificou a diretora.

O trabalho dos maqueiros é essencial uma vez que a maternidade fica no segundo andar do hospital e não há elevador no prédio: “Perguntamos à direção e administração do hospital qual o problema da unidade e eles dizem que não há problemas. Questionamos então como essa mulher em trabalho de parto chega ao segundo andar se o elevador não funciona. Nos parece que a administração não vê isso como problema. Essa mãe é obrigada a subir a pé duas rampas enormes, já que não há maqueiro suficiente que empurre a cadeira de rodas e a própria maca”, diz deputada Renata Souza.

Ao final da reunião a presidente da CPI solicitou diversos documento, entre eles, a cópia do livro de registro de entradas entre novembro de 2018 a março de 2019 e os prontuários das pacientes que perderam seus filhos. O próximo encontro da CPI terá a presença do Secretário de Saúde de Cabo Frio.

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Equipe Renata Souza