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"A democracia que exclui o povo negro não é uma democracia", diz Angela Davis no Rio

A ativista abriu o 12° Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul no Rio de Janeiro

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A filósofa e professora Angela Davis participou da abertura do 12° Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul: Brasil, África e outras diásporas que ocorreu no Cine Odeon, no centro do Rio de Janeiro, na noite desta quarta-feira (23). Além de ministrar a palestra “A liberdade é uma luta constante”, Davis também foi agraciada com a medalha Tiradentes, concedida pelo mandato da deputada estadual Renata Souza (Psol).

A cerimônia de entrega da medalha para a “pantera negra” contou com a participação da parlamentar e de Luyara Franco, filha da vereadora assassinada Marielle Franco. Durante a fala, Renata Souza lembrou que a homenagem concedida à Angela Davis era em nome de Marielle e todas as mulheres negras e mães que perderam seus filhos para a barbárie.

“A nossa função é experimentar esse estado de onde não quiseram que negros e negras estivessem. Homenagear Angela Davis com a maior comenda da Alerj é ocupar, aquilombar toda uma lógica perversa, mas entendendo que aquele lugar é também de nossa responsabilidade e, portanto, transformar a sociedade com o pé no chão na favela e na periferia, na construção coletiva de mulheres e homens, negros e negras, população LGBT é fundamental”, destaca.

Luta constante

A palestra de Angela Davis lotou os 600 lugares do Odeon. Um telão foi colocado do lado de fora do cinema para que o público pudesse acompanhar o evento na rua. Em sua fala, a ativista ressaltou a luta por justiça para a elucidação do caso Marielle Franco e pela liberdade do ex-presidente Lula. A filósofa se referiu aos presidentes Jair Bolsonaro (PSL) e Donald Trump como “inomináveis” e líderes que não representam o futuro.

“Esse contexto atual não é o contexto em que devemos nos render a desesperança. Os dois líderes, os inomináveis, não são aqueles que representam o futuro. Nós somos aqueles que iremos trilhar caminhos em direção a democracia que está por vir”, disse a filósofa.

Davis exaltou a importância do papel desempenhado pelas mulheres negras brasileiras nas religiões de matriz africana. A filósofa lembrou também de nomes de mulheres negras como Luiza Bairros que foi ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Brasil; a escritora Carolina Maria de Jesus; a historiadora Beatriz Nascimento; a filósofa Lélia Gonzalez; a ativista Preta Ferreira e a escritora Conceição Evaristo que ajudaram a mudar a forma de pensar sobre o significado da luta pela democracia. A ativista pontuou a necessidade de uma participação efetiva das mulheres negras na democracia para que de fato haja uma democracia justa e igualitária para toda a sociedade.

“A democracia que exclui o povo negro não é uma democracia. Uma democracia que exclui as mulheres negras não é uma democracia para todos. Se queremos compreender o segredo para que se possa estabelecer caminhos rumo à democracia, devemos nos voltar para os movimentos que são liderados por mulheres negras, devemos estar ao lado delas e apoiá-las. Ao fazer isso, você estará apoiando os movimentos de base que estão destinados a mudar o mundo”, afirma Davis.

A jornalista Flavia Oliveira realizou a mediação do evento que contou também com a participação da escritora Conceição Evaristo que ressaltou a influência de Angela Davis em sua formação pessoal. Oliveira lembrou que foi a primeira vez que o festival de Cinema Negro Zózimo Bulbul foi coordenado por mulheres negras. O encontro recebeu 207 produções audiovisuais e, ao longo de 10 dias, exibirá 104 filmes nacionais e 40 estrangeiros. Do total, 41 produções são de mulheres negras. Informações sobre o encontro podem ser encontradas na página do Facebook Centro Afro Carioca de Cinema Zózimo Bulbul.

Brasil de Fato

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