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Nota da Presidência da Comissão de Direitos Humanos da Alerj em repúdio às operações policiais nas favelas e solidariedade à família do João Pedro

Caso João Pedro: a sobrevivência não encontra abrigo nas favelas
 

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A população brasileira lida hoje com a dor diária causada por uma pandemia mundial, e agravada pela ausência de políticas públicas que protejam as populações mais vulneráveis e pelo descaso da Presidência da República. Somado a isso, no Rio de Janeiro, o governador do estado Wilson Witzel trabalha na manutenção de uma lógica de guerra nas favelas. Uma política que muitas vezes impede a chegada de mantimentos e equipamentos e resulta em mortes, como a ocorrida nesta segunda-feira (18), no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. João Pedro, um jovem de 14 anos, foi baleado e morto quando brincava na casa de sua família, em decorrência de uma operação policial. Ou, podemos dizer, como consequência da falta de uma política pública calcada em inteligência, prevenção e investigação.

Moradores de favelas e periferias do Rio de Janeiro sofrem com sucessivas operações policiais, como a que aconteceu na última sexta-feira (15), no Complexo do Alemão, vitimando fatalmente treze pessoas. Além de interromper a distribuição de alimentos doados para arrefecer a fome de quem perdeu o sustento com a pandemia, a operação policial deixou parte da favela sem energia elétrica por 24h. Por conta deste ocorrido, protocolei uma representação no Ministério Público do Rio de Janeiro com as denúncias de violações enviadas ao Zap da Cidadania, número disponibilizado pela Comissão de Direitos Humanos para receber áudio e vídeo.

Uma das maiores recomendações para o enfrentamento da pandemia do Coronavírus é que as pessoas não saiam às ruas. Ficar em casa, hoje, carrega ainda mais o sentido de sobrevivência e proteção para todas e todos. Ou pelo menos deveria significar isso. Em favelas e periferias, a precarização, como a falta de água em alguns lugares, por exemplo, que torna difícil a manutenção de alguns cuidados, vem acompanhada muitas vezes da truculência do Estado, que invade as casas.

É cruel que o governo do Rio não se sensibilize nem num momento de crise sanitária e humanitária e faça junto com o vírus o papel de algoz de toda uma população. Que destine à morte nossa juventude negra. Que deixe uma mãe virar uma noite sem saber pra onde levaram seu filho, provavelmente morto.

Repudio veementemente a política de Wilson Witzel. Estou, na condição de presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj em contato com a família do João e com o Ministério Público desde ontem. O acolhimento aos seus familiares é fundamental. Bem como a ágil elucidação do que ocorreu durante a operação que resultou em sua morte.

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