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Mãe de criança que teve rosto tatuado em pessoa desconhecida pede na Justiça que tatuado seja identificado

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Mãe de criança que teve rosto tatuado em pessoa desconhecida pede na Justiça que tatuado seja identificado

A empresária Daniele de Oliveira Cantanhede, Preta Lagbara, entrou com ação na Justica pedindo que a Tattoo Week e o tatuador Neto Coutinho sejam obrigados a fornecer os dados da pessoa que tatuou a imagem do rosto de seu filho, Ayo, de 5 anos. Ele teve o rosto tatuado no corpo de uma pessoa desconhecida sem sua autorização. Com o trabalho, o profissional conquistou o segundo lugar na categoria Portrait na Competição Tattoo Week, em São Paulo, em outubro. A categoria abrange reprodução de retratos de uma ou mais pessoas em primeiro plano.

— Achei que conseguiria contato com o tatuado. Queria muito explicar para ele o quanto a remoção dessa tatuagem é importante para mim. Acredito que para ele não seria um problema remover. Tentei de todas as formas, tanto com a Tattoo Week, quanto com o Neto (Coutinho) — desabafou Preta — Não faz sentido nenhum um homem estar com o rosto do meu filho no corpo. Como posso ser impedida de ter qualquer tipo de contato com esse homem, de olhar nos olhos dele e pedir, implorar, para que ele renova a tatuagem, cubra, faça outra arte por cima? Alguém precisa me dar uma resposta. Sou a mãe do Ayo. Estou nessa peleja desde 27 de outubro e não tenho resposta.

Para o advogado Djeff Amadeus, que representa Preta Lagbara, a ação tem a ver com uma determinação da Anvisa:

— A Anvisa exige que as pessoas tatuadas em eventos do gênero sejam identificadas numa ficha cadastral. Isso é feito pensando na proteção das pessoas. A Tattoo Week e o tatuador Neto Coutinho sabem quem é o tatuado, têm todas as informações sobre ele, mas não querem ajudar uma mãe que gostaria de fazer um pedido a ele para que cobrisse a imagem do filho dela — afirmou.

  • A deputada estadual Renata Souza (Psol) criou o projeto de lei Ayo, que determina que o uso de imagens e fotografias de crianças e adolescentes por tatuadores seja regulamentado.

— Defendo a liberdade de expressão e reconheço o valor da tatuagem como livre expressão existencial, artística, cultural e até política. Mas a liberdade não pode ser confundida com a violência símbolo representada pela exploração indevida da imagem de outrem, ainda mais em se tratando de crianças e adolescentes. No caso de crianças negras, em especial, a vulnerabilidade nessas circunstâncias se agrava quando essa exploração envolve a exposição ao racismo. Nesse sentido, em diálogo com mãe de Ayo, compreendi a emergência de uma regulamentação dessa prática para garantir a proteção à imagem desse público infanto-juvenil" — declarou Renata Souza.

A Tattoo Week disse que não recebeu nada oficial. O GLOBO tentou contato com Neto Coutinho, mas não teve retorno.

O Globo

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