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Como o PSOL se defende da ofensiva da extrema direita que ameaça quadros como Guilherme Boulos. Por José Cássio

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A história é contada pelo ex-deputado Chico Alencar.

Nesta semana, um grupo de simpatizantes do PSOL do Rio fazia um evento na sede da Federação das Favelas (Faferj) quando foram surpreendidos por um oficial da PM que se identificou como tenente Argueles, do 5º Batalhão.

Ele queria os nomes dos organizadores e palestrantes do evento, até ser lembrado que a Constituição garante o direito de reunião, independentemente de autorização.

Nesta quarta, a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) relatou em suas redes sociais desconforto ao transitar na câmara dos deputados.

— Desde que tomei posse, fui barrada TODOS OS DIAS aqui — na entrada, no elevador, no plenário, escreveu Talíria. Eu uso broche e vou às sessões, como todo parlamentar. É difícil pra eles entenderem, mas nós, mulheres pretas, somos tão deputadas quanto os outros. Não aceito esse tipo de tratamento.

Ok, você pode dizer que são casos isolados e que isso pode acontecer com qualquer um.
Só que não.

No Brasil sob Jair Bolsonaro e filhos, o PSOL virou alvo preferencial da intolerância e da agressividade política. A ponto do partido se reunir para pensar em estratégias para proteger seus quadros.

“Há tempos estamos alertando para a escalada da violência e a deterioração da democracia”, diz o presidente nacional da legenda, Juliano Medeiros.

Ele conta que a principal preocupação é com Guilherme Boulos.

“Não vamos entrar em detalhes, mas acabamos sendo obrigados a adotar medidas para protegê-lo”.
Juliano condena o que chama de legitimação da violência como parte da ação política.

E realça o papel do presidente e filhos em insistir na criminalização do partido no caso de Adélio Bispo e da facada em Jair Bolsonaro.

“As investigações mostram que não há um indício sequer da nossa participação e ainda assim eles insistem em nos acusar. A questão é saber como o Estado brasileiro vai lidar com um assunto tão grave”.

A preocupação aumenta quando se pensa nas semanas após o carnaval, quando o partido vai para as ruas debater os impactos da reforma da Previdência na vida dos trabalhadores.

“Não está sendo difícil mostrar para as pessoas que o projeto propõe a retirada dos direitos constitucionais do povo trabalhador. Junto com entidades como a Frente Povo Sem Medo e as Centrais Sindicais estaremos nos organizando em mobilizações por todo o país”, diz Juliano.

O PSOL considera que os adversários do partido estão agindo em duas frentes de intimidação: nas ruas, através de xingamentos e ameaças nas redes sociais, e nas instâncias institucionais.

“Nossa preocupação com o Guilherme é pelo fato dele não ter mandato”, diz Juliano, citando a nova ação movida na semana passada contra presidenciável por causa de manifestações contra Michel Temer em 2017.

O fato do PSOL não ter passagem pelo Executivo, segundo Juliano, torna as coisas mais complicadas para o partido.

“Contra o PT eles usam acusações de eventuais problemas administrativos, mas com a gente, não. Com o PSOL é na base da intimidação física e de formalidades jurídicas”.

Os eleitores parece que já perceberam a estratégia do dedo opressor do grande poder e vêm apoiando o partido cada vez mais.

Entre as siglas de esquerda, o PSOL é a que mais cresceu em 2018.

Aumentou sua bancada de deputados federais de cinco para 10 parlamentares, superando a cláusula de barreira eleitoral em 100%: em todo o país o partido alcançou 3% da votação, quando a Lei preconizava um mínimo de 1,5%.
Nas Assembleias estaduais, o número de deputados passou de 8 para 18.
Um dos destaques é Renata Souza, ex-chefe de gabinete da vereadora Marielle Franco, assassinada junto com seu motorista Anderson Pedro Mathias Gomes em março do ano passado.

Defendendo o legado da companheira de lutas que conheceu num cursinho pré-vestibular na favela da Maré (ambas ganharam bolsa na PUC-RJ: Marielle formou-se em Ciências Sociais e Renata, em Jornalismo), Renata foi eleita para a Alerj com a maior votação entre os candidatos do campo progressista.

Como Chico Alencar e Talíria Petrone, personagens que citamos no início desse texto, Renata sente na pele o clima de intolerância e agressividade.

“Prefiro não falar da minha rotina, mas tomo os meus cuidados”, contou ao DCM. “O que sinto é uma sensação permanente de insegurança”.

O ex-deputado Jean Wyllys optou por abandonar o mandato e se mudar de país. Sabia que na câmara teria de continuar enfrentando a tropa bolsonarista, agora catapultada pela mega votação do PSL.

Se Jean Wyllys já sofria na mão dos brucutus, imagine Renata, que, no seu primeiro mandato, tem de conviver na Alerj com alguém como Rodrigo Amorim, o parlamentar que quebrou a placa em homenagem a Marielle, colocou numa moldura e exibe como um troféu logo na entrada do seu gabinete.

“Faz parte do show dele”, diz Renata, contando que Rodrigo sequer estende a mão para cumprimenta-la. “A gente vai levando. Quem é de luta está acostumado”.

De luta todos nós somos. O diferencial desses tempos não é a luta, e sim a legitimação da barbárie.

Diário do Centro do Mundo

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