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12 perguntas ainda sem resposta sobre o assassinato de Marielle e Anderson

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12 perguntas ainda sem resposta sobre o assassinato de Marielle e Anderson

Júlia Dias Carneiro, Luiza Franco e Rafael BarifouseDa BBC News Brasil no Rio de Janeiro e em São Paulo

  • 13 março 2019

Direito de imagemARQUIVO PESSOAL/CÂMARA MUNICIPAL DO RJImage captionAssassinato de Anderson Gomes e Marielle Franco completa um ano nesta quinta-feira

Mesmo após a prisão do policial militar reformado Ronnie Lessa e do ex-policial militar Elcio Vieira de Queiroz, acusados de executarem a vereadora Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Gomes em 14 de março de 2018, ainda há muitas perguntas sem resposta sobre o crime.

As principais - se houve mandante, quem seria essa pessoa e qual seria sua motivação - serão objeto da segunda fase das investigações, segundo as autoridades à frente do caso.

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), disse que os acusados poderão fazer uma delação premiada, se assim quiserem, para contribuir com esta nova etapa. Questionado sobre o tema, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), não descartou esta opção.

Abaixo, as principais questões em aberto sobre o homicídio, como a BBC News Brasil mostra a seguir. Confira também a linha do tempo com os principais fatos da investigação até agora.

1. Houve mandante do crime?

Essa é a principal pergunta não respondida até agora, assim como as outras questões ligadas a ela: quem seria esse mandante e qual seria sua motivação. A polícia deixou claro na coletiva de terça-feira que não tem respostas a elas porque serão objeto da segunda fase das investigações.

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Mas entre as informações dadas na terça-feira há indícios de que o assassinato da vereadora foi encomendado, como o fato dele ter sido "meticulosamente planejado", depoimentos de suspeitos de ligação com milícias de que o crime teria custado "R$ 200 mil", e o próprio perfil dos acusados, suspeitos de terem realizados outros homicídios e de envolvimento com milícias.

2. Havia um terceiro ocupante em um dos carros envolvidos no crime?

Marielle, Anderson e uma assessora da vereadora viajavam em um carro pelo bairro do Estácio, quando um Cobalt prata emparelhou com o veículo. Os disparos foram dados de dentro do Cobalt. A princípio, a polícia afirmou que havia dois ocupantes no carro, que havia aguardado por duas horas a saída de Marielle de um evento e depois a perseguiu.

Foi divulgado posteriormente que a análise de imagens de câmeras de segurança por meio de um programa de computador indicou haver três pessoas no interior do Cobalt prata e que isso teria sido difícil de identificar por conta da película escura usada nos vidros do veículo.

Na terça-feira, no entanto, Giniton Lages, chefe da Delegacia de Homicídios da Capital, responsável pela investigação, disse que a hipótese mais provável é de que apenas Lessa e Queiroz estavam no Cobalt prata usado no crime.

"Análise de imagem é bastante delicado, precisa de ferramentas. Numa primeira leitura, tínhamos o desenho de três pessoas no carro. Em análise mais recente, porém, estamos caminhando para confirmação de um motorista e uma pessoa no banco de trás, sem carona", disse Lages.

Esse aspecto da investigação ainda será aprofundado na próxima fase da investigação, de acordo com o delegado. Por sua vez, o MP-RJ diz categoricamente que não havia uma terceira pessoa no veículo.

3. Por que Marielle entrou na mira dos criminosos pouco tempo depois de assumir o cargo de vereadora?

O crime teria sido "meticulosamente planejado" nos três meses anteriores ao crime, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ). Isso significa que Marielle passou a ser um alvo antes mesmo de completar um ano como vereadora.

Segundo a denúncia, "é inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia".

"É surpreendente que a Marielle tenha incomodado tanto em tão pouco tempo", disse a deputada estadual Renata Souza (PSOL-RJ) à BBC News Brasil. "Por que logo a Marielle? Qual foi o ponto crítico? O que ela fez especificamente para ser morta?"

Marielle foi a quinta candidata mais votada nas eleições municipais de 2016, com 46.502 votos, em sua primeira disputa eleitoral.

Na Câmara, era um dos quatro relatores de uma comissão criada em fevereiro para monitorar a intervenção federal de segurança pública no Estado do Rio. Também presidia a Comissão de Defesa da Mulher e havia proposto projetos de lei voltados à defesa de direitos de minorias e a assistência social.

Entre eles estavam a criação de espaço de acolhida de crianças durante a noite, enquanto seus pais estudam ou trabalham, uma campanha permanente de conscientização sobre assédio e violência sexual, um estudo periódico de estatísticas sobre mulher atendidas por serviços públicos da cidade, a oferta de assistência técnica gratuita em habitação para famílias de baixa renda e um dia de combate à LGBTfobia.

Em entrevista coletiva na manhã de terça-feira, Lages disse que um dos acusados, Lessa, tem "obsessão por personalidades que militam à esquerda".

Direito de imagemAFPImage captionSegundo o delegado Giniton Lages, um dos acusados, Lessa, tem "obsessão por personalidades que militam à esquerda"

"Numa análise do perfil dele, você percebe ódio e desejo de morte, você percebe alguém capaz de resolver diferenças dessa forma (matando)", afirmou o delegado.

Essa interpretação foi corroborada pelo MP-RJ em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira. A promotora Simone Sibilio, coordenadora do Gaeco, disse que os acusados agiram por "motivo torpe" e que Lessa teria matado a vereadora por "repulsa" a sua atuação política. Anderson teria sido incluído como alvo para dificultar a solução do crime.

O MP-RJ não exclui, no entanto, que tenha havido outras motivações, nem que o crime tenha sido encomendado por outras razões.

4. Os acusados têm relação com a milícia Escritório do Crime, que atua em Rio das Pedras?

Durante a maior parte das investigações, era apurado se o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-policial Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando de Curicica, atualmente preso por chefiar uma milícia, foram os mandantes do crime. Os dois sempre negaram ter envolvimento no caso.

Em setembro do ano passado, Orlando de Curicica denunciou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que estaria sendo coagido pela Delegacia de Homicídios do Rio a assumir a autoria do crime.

Na época, segundo o jornal O Globo, ele também afirmou que Marielle e Anderson foram mortos pela milícia Escritório do Crime, que atua em Rio das Pedras, na zona oeste da cidade. A execução do crime teria custado R$ 200 mil. Curicica afirmou ainda que, embora soubesse quem havia matado a vereadora, desconhecia a motivação.

Porém, segundo o MP-RJ, não há provas contundentes do envolvimento de Lessa com milícias. Mas isso ainda está sendo investigado, porque há indícios de sua "participação em atividade paramilitar", ainda que não em Rio das Pedras, mas em outras áreas da cidade.

O órgão afirma que ele é suspeito de ter cometido homicídios ligados à contravenção (jogo do bicho). O mesmo motivo levou à instauração do processo que culminou com a expulsão de Queiroz da PM. De acordo com o MP, os dois são amigos.

À BBC News Brasil, Marinete Silva, mãe de Marielle, questionou por que milicianos teriam encomendado a morte de sua filha: "Marielle não atuava nessas áreas. As cobranças que ela fazia eram em cima de várias questões nas quais ela acreditava. Não era direcionada a milícia. As pautas que ela defendia eram as da mulher negra, dos direitos humanos, de defender o outro".

5. Há algum laço entre os suspeitos e o vereador Marcello Siciliano e o ex-PM Orlando de Curicica, apontados como suspeitos de tramar o crime?

A linha de investigação que apurava se Siciliano e Orlando de Curicica seriam os mandantes do crime perdeu força, segundo uma reportagem do Globo, a partir de apurações paralelas realizadas pela Polícia Federal.

Isso ocorreu após uma testemunha, o PM Rodrigo Ferreira, voltar atrás nas declarações que implicavam os dois suspeitos. Segundo o delegado Giniton Lages, esta pessoa pode ser responsabilizada por falso testemunho caso isso seja provado. As autoridades não souberam informar o que teria motivado estas declarações.

No entanto, Lages disse que a hipótese do envolvimento de Siciliano e Curicica não está totalmente descartada, mas não esclareceu se existe algum indício que ligue os dois acusados presos nesta terça àqueles que eram tratados na maior parte do último ano como os principais suspeitos pelo crime.

6. Como as armas e munições usadas no crime foram extraviadas das polícias civil e federal?

A polícia identificou que uma submetralhadora HK MP5, de origem alemã e calibre 9mm, foi empregada no crime. Trata-se de uma arma de uso restrito no Brasil, utilizadas por forças especiais.

Cinco unidades de submetralhadoras deste modelo teriam desaparecido do arsenal da Polícia Civil, algo que foi identificado em um recadastramento feito em 2011.

Por sua vez, as balas usadas eram do lote UZZ18, vendido à Polícia Federal em 2006 e ligado a outros crimes. Raul Jungmann, então ministro de Segurança Pública, disse logo após o assassinato de Marielle e Anderson que a munição foi roubada "anos atrás" na sede dos Correios na Paraíba. Os Correios afirmaram não ter registro disso.

As investigações não revelaram até o momento quem estaria por trás destes desvios de munição e armas nem como elas teriam chegado aos acusados.

Direito de imagemREUTERSImage captionMãe de Marielle, Marinete Silva diz que a vereadora não atuava em questões relacionadas a milícias 7. De quem são as digitais encontradas nas cápsulas achadas na cena do crime?

Durante as investigações, a polícia encontrou fragmentos de digitais em nove cápsulas de munição achadas na cena do crime. Os fragmentos seriam insuficientes para identificar os autores dos disparos, mas poderiam ser confrontadas com as digitais de possíveis suspeitos.

No entanto, nas duas coletivas de imprensa realizadas nesta terça-feira, nada foi divulgado neste sentido.

8. De onde veio o Cobalt prata usado no crime?

A origem do Cobalt prata usado pelos dois acusados ainda é um mistério. O número da sua placa foi clonado, e o veículo registrado sob a numeração foi encontrado na Zona Sul do Rio, estacionado na garagem de uma cuidadora de idosos.

De acordo com o MP-RJ, a investigação mostrou que o Cobalt já circulava pelo Rio de Janeiro desde 2016 e que ele foi comprado especialmente para a execução do crime.

Imagens de câmera de segurança mostraram que o carro estava na Barra da Tijuca horas antes do crime. Sua identificação foi possível por características do veículo, como um "defeito traseiro inconfundível".

Mas ainda não se sabe de onde o Cobalt veio nem o percurso que realizou após o assassinato.

365 DIAS DE INVESTIGAÇÃO Image captionFoto:Arquivo pessoal/CMRJ

A vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes (foto) são executados a tiros em torno das 21h30 no bairro do Estácio, na região central do Rio, após deixarem um evento no local. Uma assessora de Marielle que estava no mesmo carro fica ferida por estilhaços, mas escapa com vida.

Image captionFoto:Getty

Imagens obtidas pela polícia mostram um Cobalt prata com placa clonada parado em frente ao local do evento. Os três homens no interior do carro aguardaram por duas horas a saída da vereadora.

TV Globo divulga que uma pistola 9mm, calibre de uso restrito no Brasil, foi usada no crime. As balas são do lote UZZ18, vendido à Polícia Federal (PF) em 2006 e ligado a outros crimes. Raul Jungmann, então ministro de Segurança Pública, diz que balas foram roubadas "anos atrás" na sede dos Correios na Paraíba. Os Correios dizem não ter registro disso.

O portal G1 apura que cinco das 11 câmeras da Secretaria de Segurança no trajeto da vereadora estavam apagadas no momento do crime. O jornal Extra diz que elas foram desligadas entre 24 e 48 horas antes.

Image captionFoto:Getty

Após duas semanas de manifestações pedindo a solução do crime (na foto, manifestação ocorrida no dia 18 na favela da Maré), o General Richard Nunes, então secretário de Segurança Pública do Rio, diz à Globonews que assassinato foi "crime político", motivado pela atuação de Marielle.

O líder comunitário Carlos Alexandre Pereira Maria, o Cabeça, é morto a tiros na Taquara, na Zona Oeste do Rio. Ele era colaborador do vereador Marcello Siciliano (PHS), posteriormente apontado por uma testemunha como mandante do crime, e teria envolvimento com uma milícia.

Laudo mostra que Marielle morreu com quatro tiros no lado direito da cabeça. Anderson foi atingido nas costas por três balas. Fragmentos de digitais em nove cápsulas achadas na cena do crime são insuficientes para identificar os autores dos disparos.

Image captionFoto:ABR

A TV Record apura que a arma usada no crime foi uma submetralhadora HK MP5 usada por forças especiais do Rio. A reconstituição do crime (foto) confirma o uso da arma. A Record diz ainda que o carro em que estavam Marielle e Anderson foi deixado no pátio da delegacia sem cuidados especiais e que seus corpos não passaram por raio-x porque o Estado estaria sem equipamento.

Image captionFoto:Polícia Civil

O policial militar Rodrigo Ferreira aponta o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-policial Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando de Curicica (foto), preso por chefiar a milícia de Boiúna, como mandantes do crime. Ações comunitárias de Marielle teriam interferido em interesses de milicianos. Ambos negam as acusações.

Thiago Bruno Mendonça, o Thiago Macaco, é preso, acusado de matar Cabeça. Ele foi apontado por uma testemunha como um ex-miliciano ligado a Orlando de Curicica e acusado de ser o responsável por clonar a placa do Cobalt prata usado na execução de Marielle.

Image captionFoto:ABR

Manifestações continuam marcando aniversários da morte de Marielle e Anderson e pedindo respostas (na foto, manifestação em 12 de julho no centro do Rio).

O policial militar reformado Alan de Morais Nogueira, o Cachorro Louco, é preso suspeito sob a acusação de participar da milícia de Orlando de Curicica. Ele é suspeito de ser um dos ocupantes do carro dos atiradores.

Image captionFoto:ABR

A TV Globo apura que os deputados estaduais Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi (fotos), todos do MDB, passam a ser investigados. Os três estão presos, acusados de terem recebido propinas de empresas de ônibus. Eles teriam se envolvido na morte de Marielle como retaliação ao hoje deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), que liderou uma ação para barrar a posse de Albertassi no Tribunal de Contas do Rio de Janeiro. Eles negam as acusações.

Raul Jungmann sugere que a PF assuma a investigação, mas sugestão é rejeitada pelo Gabinete de Intervenção e pelo MP-RJ. Quatro dias depois, a promotoria estadual volta atrás e aceita a colaboração.

Orlando de Curicica denuncia à PGR que estaria sendo coagido pela Delegacia de Homicídios do Rio a assumir a execução do crime. Segundo o jornal O Globo, ele diz que Marielle e Anderson foram mortos pela milícia Escritório do Crime, que a execução teria custado R$ 200 mil e que, embora saiba quem matou a vereadora, desconhece a motivação dos criminosos.

O MP-RJ diz ter identificado características físicas do atirador e novos locais por onde circulou o carro usado pelos executores. Não são divulgados detalhes.

A Polícia Civil cumpre mandados de prisão em 15 endereços no Rio e em Minas Gerais contra integrantes de milícias, alguns deles suspeitos de participar do crime. É a primeira operação de prisão ligada à morte de Marielle e Anderson.

Cinco suspeitos são presos, entre eles o major da PM Ronald Pereira Alves, o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, ambos apontados como chefes da milícia Escritório do Crime, e o tenente reformado Maurício Silva da Costa, que seria chefe da milícia de Rio das Pedras. Todos negam envolvimento no crime.

Image captionFoto:ABR

A principal linha de investigação, de que Orlando de Curicica e Marcelo Siciliano(foto) seriam os mandantes do crime, perde força após apuração feita por uma força-tarefa da PF, segundo o jornal O Globo. A PF apura possíveis ações para dificultar as investigações.

Image captionFoto:ABR

Polícia civil e promotores do MP-RJ prendem dois suspeitos da morte de Marielle e Anderson. Ronnie Lessa (foto à esq.), policial militar reformado, teria sido o autor dos disparos que mataram a vereadora e o motorista. Élcio Vieira de Queiroz (foto à dir.), ex-policial militar, estaria dirigindo o Cobalt prata.

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9. Quem clonou a placa do Cobalt prata e quando?

Em maio do ano passado, Thiago Bruno Mendonça foi preso acusado de matar o líder comunitário Carlos Alexandre Pereira Maria, o Cabeça. Mendonça era colaborador de Siciliano e foi apontado por uma testemunha como um ex-miliciano ligado a Orlando de Curicica.

Thiago era suspeito de ter envolvimento na execução da vereadora e de seu motorista. Seria o responsável por clonar a placa do Cobalt prata.

Depois, em dezembro, a Polícia Civil cumpriu mandados de prisão em 15 endereços no Rio e em Minas Gerais contra integrantes de milícias, alguns deles suspeitos de participar do crime. Segundo o jornal O Globo, o alvo seria uma quadrilha especializada na clonagem de veículos.

Porém, nada foi revelado por autoridades até agora sobre quem teria colaborado com esta fraude.

10. Quem desligou as câmeras de segurança no trajeto de Marielle e Anderson?

Cinco das onze câmeras que ficam no trajeto percorrido pelos assassinos de Marielle e Anderson estavam apagadas naquela noite. Elas teriam sido desligadas de 24 a 48 horas antes do crime, segundo apurou o site G1.

Apesar de ter sido um dos principais desdobramentos do início da investigação, a Polícia Civil descarta agora que este fato tenha relação com o homicídio.

O delegado Giniton Lages afirmou na terça não haver qualquer prova que indique que agentes públicos teriam desligado os aparelhos propositalmente, para proteger os criminosos.

Direito de imagemAFPImage captionRonnie Lessa teria feito os disparos contra Marielle e Anderson e Elcio Vieira de Queiroz teria dirigido o veículo usado no crime 11. Houve um desfecho para a segunda linha de investigação que apurava o envolvimento de deputados do MDB?

Em agosto, abriu-se uma nova linha de investigação. Três deputados estaduais do MDB, Edson Albertassi, Paulo Melo e Jorge Picciani, passaram a ser investigados, de acordo com a TV Globo

Atualmente presos, acusados de terem recebido propinas de empresas de ônibus, eles teriam se envolvido no crime como uma retaliação ao deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) quando ele ainda atuava como deputado estadual.

Freixo liderou uma ação para impedir a posse de Albertassi como conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, que seria uma forma do trio escapar da investigação do braço da operação Lava Jato no Estado. Eles negam todas as acusações.

Nas coletivas de terça-feira, não foi divulgado se esta apuração deu frutos ou se o trio de políticos ainda é suspeito de algum envolvimento no caso.

Em entrevista à BBC News Brasil em janeiro, Freixo disse ter falado sobre essa possibilidade com autoridades, mas afirmou er estranhando que isso não tenha recebido muita atenção à época.

Questionado na terça-feira sobre o assunto, o deputado afirmou no entanto que "não cabe a ele fazer ilações sobre quem seria o grupo político por trás do assassinato".

"Cabe aos investigadores identificar, e isso não pode demorar mais um ano. A partir do momento que se identifica quem apertou o gatilho, se facilita saber quem mandou matar", declarou.

12. Houve negligência ou tentativa de fraude nas investigações?

A pedido da PGR, a Polícia Federal instaurou, em novembro de 2018, uma "investigação da investigação" do caso Marielle. Havia a suspeita de que agentes do Estado estariam atuando para obstruir a elucidação do crime.

Segundo disse à época o então ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, essa segunda apuração foi criada após depoimentos ao Ministério Público Federal darem conta de que havia "uma organização criminosa envolvendo agentes públicos de diversos órgãos, organização criminosa e a contravenção para impedir, para obstruir, para desviar a elucidação dos homicídios de Marielle e do Anderson Gomes".

O ex-ministro já havia afirmado em agosto que o envolvimento de agentes do Estado e de políticos no crime dificultava seu esclarecimento. A investigação da PF segue em sigilo.

Antes, em maio, uma reportagem da TV Record apontou que o carro em que estavam Marielle e Anderson havia sido deixado no pátio da delegacia sem cuidados especiais para a preservação de provas e que os corpos das vítimas não passaram por raio-x porque o Estado estaria sem equipamento.

Existe ainda outro indício da participação do poder público para acobertar os responsáveis, que ainda não foi confirmado.

Segundo a promotora Simone Sibilo, do Gaeco, a operação de terça-feira foi adiantada, porque os investigadores receberam a informação de que os acusados teriam sido alertados de que seriam presos. De acordo com Sibilo, Lessa disse no momento da operação que sabia quando a polícia agiria.

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